Água, esse Bem

Alterações Climáticas 16 Jul 2019

Mergulhemos um pouco no tema Água?

Prometo viajarmos ao longo deste texto para que, em conjunto, ganhemos mais consciência sobre este recurso de valor incalculável para a vida neste planeta, neste macroorganismo em crescimento a que chamamos Terra. Comecemos por imaginar a imensidão do Universo, localizar um cantinho a que chamamos via láctea onde existe uma estrela maior que em português é conhecida como Sol. Em redor dessa estrela, há uma massa de energia (entre muitas), um macroorganismo, que em determinado momento da sua história consegue condições para a existência de uma atmosfera que, por sua vez, cria outras condições para a existência desta tal molécula, designada H2O, em pelo menos três estados físicos. A esta coexistência podemos agradecer toda a vida que nos rodeia.

E se é verdade que 97% da água do planeta está nos oceanos, também o é que dos 3% que restam, 75% está em glaciares, 14% em água profundas (a mais de 800m) e apenas 11% dos 3% é que está disponível para beber (rios, lagos, poços, furos, solos, atmosfera), sendo que cada vez mais está poluída. Se esta evidência não é facto suficiente para nos fazer actuar, gerar consciência e interesse em melhorar, deveríamos fazer por isso!

Que boas práticas podemos promover para caminhar lado a lado com a Água?

Podemos acima de tudo observar. Observar os nossos entornos sociais e ambientais. Podemos procurar inspirarmo-nos com quem já experiencia estas boas práticas. Podemos observar o nosso ecossistema, quer este seja o nosso apartamento, a nossa vivenda, a nossa quinta, aldeia ou cidade. Perceber por onde e como a água se move para poder capitalizá-la mais.

Para mim, uma evidência é que a maioria dos humanos integrou a água potável nos seus sistemas de transporte de dejectos. E gastamos uma quantidade de energia enorme a limpar essa água. Não seria melhor procurar alternativas? As cada vez mais conhecidas casas de banho secas parecem-me ser de muito mais senso comum. Também me parece muito sensato tratar as água cinzentas (com origem em banhos e cozinhas) com plantas. Porque não plantar agroflorestas e encaminhar todas a nossas águas residuais para estes seres incríveis que são as plantas e, principalmente, as árvores?

Existem muitas formas de capital e acredito que a Água deve encaixar-se em muitas, excepto na financeira. Podemos vê-la como um capital vivo, intelectual, espiritual, cultural, social, experiencial e até material. Mas pô-la no sistema financeiro é sujá-la e não há plantas que a limpem depois.

E, assim, convido todos a levar connosco a partir de agora uma bandeira. Uma bandeira bem alta, bonita e colorida. Uma bandeira que convida quem a vê a tomar como seu direito o direito à água potável para todos os seres que co-habitam a casa Terra.

Somos 70% de água. A água alimenta. E sem uma boa alimentação a medicina não funciona, mas com uma boa alimentação a medicina não faz falta. Aproveitemos então um Bem Comum (ou O Bem Comum) que temos aqui no Freixo do Meio: esta água regeneradora de seres vivos e ecossistemas. E procuremos ecossistemas similares para os proteger. E porque não co-criar novos ecossistemas para regenerar, pouco a pouco, o planeta?

Deixo-vos algumas frases de um dos mestres que mais influenciou, até agora, esta minha passagem pela Terra e que, graças a este bocado de terra que temos em comum, a Herdade do Freixo do Meio, pude conhecer pessoalmente, aprender e trocar ideias. Refiro-me a Ernst Götsch e, aqui, partilho algumas notas dos vários encontros:

- Seremos células deste macroorganismo movidos pelo prazer interno e com certeza da sua função? Façamos por isso.

- Porque não descer do pedestal do inteligente para integrar um sistema inteligente?

- Pratiquemos as relações inter e intra-específicas baseadas no amor incondicional em cooperação movidas pelo prazer interno.

- O sol colhe-se e a água planta-se!


Bem haja e muita água da boa,

Bernardo Jardim Oliveira Sá Nogueira

Colaborador da Equipa dos Hortícolas


Nota: Recordamos que, neste momento, o ciclo da água está alterado. A chuva foi residual na Primavera e enfrentamos um período de seca severa. Acreditamos que a ausência de árvores e a falta de regeneração da floresta tem um papel determinante nesta realidade. O solo exposto aquece com a radiação solar e sem manta morta o subsolo compacta. Em consequência, quando chove a água escorre e não se infiltra lentamente de forma a percorrer os diferentes horizontes do solo e a recarregar os aquíferos. Um solo vivo é permeável, tal como uma esponja. Plantar mais árvores é um forte contributo para reequilibrar este ciclo natural.